Exposição coletiva | Surf: Um outro olhar

A terceira edição do Festival de Curtas de Surf reúne três artistas em torno de um território comum: o oceano, a paisagem e a cultura do surf.
Entre fotografia, cerâmica e materiais resgatados das praias, as obras revelam diferentes formas de olhar e sentir o mar — da contemplação da paisagem à memória das suas formas, cores e movimentos, e à transformação do que o oceano devolve à costa.
Distribuída entre a Galeria Municipal e o Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, a exposição prolonga o olhar do festival para além do cinema, propondo uma viagem sensorial por diferentes formas de sentir, interpretar e cuidar do oceano.
Biografias
ANA LÚCIA DA SILVA
Ana Lúcia nasceu a 15 de fevereiro de 1974, na Lourinhã, Portugal. Concluiu o ensino secundário na área de Humanidades e frequentou o curso de Psicopedagogia Curativa na Universidade Moderna. Em 2001, obteve o Curso Profissional de Ceramista no âmbito das Escolas-Oficina da Lourinhã. Ao longo da sua carreira artística, participou na FIA de 2002 através do Turismo do Oeste e colaborou na realização dos troféus do Campeonato de Surf de 2002, em parceria com o professor José Correia, do Praia Surf Club.
Em 2026, concluiu uma formação em Olaria nas Caldas da Rainha e participou em diversos eventos culturais e artesanais, incluindo a Expo Lourinhã, o Festival da Água de Fonte Lima e a Feira de Consciência e Artesanato da Atalaia, na Lourinhã.
Atualmente, desenvolve o seu trabalho artístico em cerâmica com estúdio aberto e workshops na Areia Branca, em colaboração com a ANIMAR-Associação Sociocultural, promovendo a valorização do artesanato e das tradições cerâmicas portuguesas.
ANNA BOLBASOVA
Anna Bolbasova é uma artista bielorrussa, atualmente a viver e a criar em Portugal. A arte faz parte da sua vida desde que era pequena o suficiente para andar por baixo da mesa, embora nunca tenha imaginado que se tornaria o seu verdadeiro caminho.
Quando chegou a Peniche, cada caminhada na praia transformava-se numa limpeza, e uma ideia foi crescendo: e se as próprias coisas que destroem o oceano se pudessem tornar as ferramentas para o salvar? Essa convicção está no centro de tudo o que cria. Para Anna, é mais do que arte - é uma missão: transformar lixo recolhido nas praias em peças que sensibilizam e inspiram mudanças reais para a proteção dos oceanos.
Com a sua primeira obra de bordado, percebeu que conseguia criar trabalhos muito mais complexos do que imaginara. Mantém as cores originais das cordas que recolhe, o que significa trabalhar dentro de uma paleta limitada. Os seus ídolos estão presentes em cada ponto: Van Gogh nos seus céus, Renoir nas suas figuras, Monet, Cézanne e Gauguin na sua natureza. Por vezes pensa que devia ter escolhido uma técnica mais simples, que exigisse menos tempo. Mas acredita que a dedicação, o amor e a paciência valem cada fio.
Anna nunca cria quando está de mau humor. Põe o coração na sua arte - o seu amor pelo oceano, pelo planeta, pelas pessoas. Há tanta dor no mundo, e ela quer que o seu trabalho seja uma luz, e que essa luz se propague.
JOP HERMANS
«A inspiração é algo que consigo encontrar em todo o lado, até mesmo em Scheveningen, depois de todos estes anos a tirar fotografias.»
Jop Hermans, nascido em 1981, é um fotógrafo freelancer. O seu estilo é uma mistura de arte, minimalismo, estilo de vida, surf e paisagem.
Como fotógrafo, Jop encontrou o seu foco na costa. O que procura principalmente é a fotografia de paisagens marítimas com o surf como tema. Muitas vezes, estas imagens assumem um tom melancólico e colorido. É curioso, mas também admirável, recordar que quase todo o seu trabalho dos últimos anos foi captado num pequeno troço de costa perto de Scheveningen.
No que diz respeito à inspiração, gosta de observar artistas que têm uma visão artística e colorida ao retratar o surf e o seu ambiente.
Olhando para o futuro, Jop deseja, acima de tudo, manter a alegria de criar imagens. «A inspiração é algo que consigo encontrar em todo o lado, mesmo em Scheveningen, depois de todos estes anos a fotografar na mesma vila à beira-mar. Na Europa, ainda há muitos trechos de costa e natureza selvagem que gostaria de visitar, viajando de carrinha com uma câmara e uma prancha de surf. Um dos meus objetivos é voltar à Irlanda, encontrar-me com um grupo de surfistas experientes e criar um documentário fotográfico com um ambiente tipicamente irlandês. Encontrar pontos de surf remotos, onde paisagens impressionantes e o mar se unem».