Geoparque Oeste dá passo histórico no alargamento do território

O Geoparque Oeste alcançou, no passado dia 2 de novembro, um marco importante no processo de alargamento do seu território, com a aprovação, por unanimidade, da candidatura à Rede Global de Geoparques Mundiais da UNESCO, durante a 11.ª Sessão do Conselho dos Geoparques Mundiais da UNESCO, realizada em Paris.
A proposta abrange os municípios de Alenquer, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Óbidos, Peniche e Torres Vedras, representando um passo decisivo para a valorização do património geológico, natural e cultural da região.
O Município do Cadaval esteve representado pelo vereador Dinis Duarte, que acompanhou este momento enquanto membro da Direção da AGEO – Associação Geoparque Oeste. Estiveram igualmente presentes o coordenador executivo do Geoparque Oeste, Miguel Reis Silva, e o vereador Rui Estrela, em representação do Município de Torres Vedras.
A avaliação internacional evidenciou a excelência do património geológico do território, com destaque para o valor geológico internacional, a qualidade dos programas educativos e a capacidade de gestão e envolvimento das comunidades.
Os avaliadores salientaram também a importância do registo geológico da Bacia Lusitânica para a compreensão da abertura do Atlântico Norte, tendo como referência o GSSP do Toarciano, bem como o extraordinário registo paleontológico de dinossauros do Jurássico Superior e os fósseis de angiospérmicas do Cretácico Inferior.
Este reconhecimento ganha ainda maior expressão com a identificação de 29 geossítios pelo reconhecimento da sua relevância geológica internacional pela União Internacional das Ciências Geológicas (IUGS), reforçando a importância científica e patrimonial do território e a sua projeção no contexto da geoconservação mundial.
O alargamento do Geoparque Oeste aos municípios de Alenquer e Óbidos, bem como a integração do Arquipélago das Berlengas e de uma área marinha, representa, assim, muito mais do que um aumento da dimensão geográfica do território. Constitui uma oportunidade para aprofundar a valorização de uma área de extraordinária diversidade geológica, paisagística, ecológica e cultural, reforçando a ligação entre o património terrestre e marinho e entre as diferentes comunidades que lhe dão identidade.
O processo de alargamento, que segue agora para a fase final de validação pelo Conselho Executivo da UNESCO, e cuja decisão está prevista para a primavera de 2027, resulta de um trabalho de articulação e compromisso entre os oito municípios envolvidos, a AGEO, os parceiros institucionais, científicos, económicos e associativos e as comunidades locais.
A aprovação agora alcançada não representa apenas a concretização de uma etapa de candidatura. Representa o reconhecimento internacional de um projeto que tem vindo a crescer, a mobilizar comunidades e a afirmar a importância do património como fator de identidade, conhecimento e desenvolvimento.
A concretização deste alargamento permitirá reforçar a cooperação entre os oito municípios e criar novas oportunidades nas áreas da educação, investigação científica, geoturismo e desenvolvimento sustentável, contribuindo para a valorização e afirmação internacional do território.