Geoparque Oeste dá passo histórico no alargamento do seu território

A Candidatura dos oito municípios à Rede Global de Geoparques Mundiais da UNESCO foi aprovada por unanimidade.
Os avaliadores destacam a excelência do património geológico, a qualidade educativa e o envolvimento das comunidades.
O Geoparque Oeste alcançou, esta segunda-feira, 2 de novembro de 2026, um marco histórico no processo de alargamento do seu território como Geoparque Mundial da UNESCO. A proposta de integração dos municípios de Alenquer, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Óbidos, Peniche e Torres Vedras na Rede Mundial de Geoparques foi aprovada por unanimidade na 11.ª Sessão do Conselho dos Geoparques Mundiais da UNESCO, realizada em Paris.
A decisão representa um reconhecimento internacional da relevância e da qualidade do trabalho desenvolvido pelo Geoparque Oeste e constitui um passo decisivo para a concretização de uma ambição coletiva: consolidar um projeto territorial de referência internacional, assente na valorização do património geológico, natural e cultural, na educação, na ciência e no desenvolvimento sustentável.
A recomendação favorável dos avaliadores internacionais, expressa através da indicação «ACCEPT», foi sustentada numa avaliação particularmente positiva de diferentes dimensões do Geoparque, com destaque para o valor geológico internacional, a qualidade dos programas educativos e a capacidade de gestão e envolvimento das comunidades.
Com esta aprovação, o processo avança agora para a fase final de validação pelo Conselho Executivo da UNESCO, cuja decisão deverá ocorrer na primavera de 2027. Na sequência dessa deliberação, poderá ser formalizado o reconhecimento do território alargado como Geoparque Mundial da UNESCO.
O Geoparque Oeste esteve representado nesta sessão pelo seu Coordenador Executivo, Miguel Reis Silva, e por dois representantes da Direção da AGEO – Associação Geoparque Oeste, o Vereador Rui Estrela em representação do município de Torres Vedras na Vice Presidência e o Vereador Dinis Duarte em representação do município do Cadaval, que acompanharam este momento particularmente significativo para o futuro do projeto.
Um dos aspetos mais destacados pelos avaliadores foi o valor geológico internacional do Geoparque Oeste, reconhecendo a importância do registo geológico da Bacia Lusitânica para a compreensão da abertura do Atlântico Norte, tendo como referência o GSSP do Toarciano, bem como o extraordinário registo paleontológico de dinossauros do Jurássico Superior e os fósseis de angiospérmicas do Cretácico Inferior.
Este reconhecimento ganha ainda maior expressão com a identificação de 29 geossítios pelo reconhecimento da sua relevância geológica internacional pela União Internacional das Ciências Geológicas (IUGS), reforçando a importância científica e patrimonial do território e a sua projeção no contexto da geoconservação mundial.
Os avaliadores salientaram igualmente que o património geológico está plenamente integrado nas atividades do Geoparque e que a proposta de alargamento permite representar de forma mais abrangente a diversidade geológica da região, desde os sistemas cársicos do interior até ao oceano aberto.
A integração do Arquipélago das Berlengas, reconhecido como Reserva da Biosfera da UNESCO, foi também destacada como um elemento diferenciador, reforçando a ligação entre os sistemas geológicos terrestres e marinhos e a abordagem integrada do património natural.
O alargamento aos municípios de Alenquer e Óbidos, bem como a integração do Arquipélago das Berlengas e de uma área marinha, representa, assim, muito mais do que um aumento da dimensão geográfica do território. Constitui uma oportunidade para aprofundar a valorização de uma área de extraordinária diversidade geológica, paisagística, ecológica e cultural, reforçando a ligação entre o património terrestre e marinho e entre as diferentes comunidades que lhe dão identidade.
A qualidade e a inovação dos programas educativos foram igualmente identificadas pelos avaliadores como uma das maiores forças do Geoparque Oeste.
A existência de programas e recursos educativos inovadores, dirigidos a diferentes níveis de ensino e públicos, foi particularmente valorizada, tendo sido destacado o programa Geoescola, desenvolvido na Escola do Ramalhal, como um dos melhores exemplos de recursos educativos concebidos no âmbito de um Geoparque Mundial da UNESCO.
Esta referência internacional reconhece o investimento que o Geoparque Oeste tem realizado na aproximação entre ciência, escola e comunidade, promovendo o conhecimento do território, a valorização do património e a formação de cidadãos mais conscientes e participativos.
A educação constitui, assim, uma dimensão central da estratégia do Geoparque, não apenas enquanto instrumento de transmissão de conhecimento científico, mas também como motor de transformação social e de construção de uma cultura de sustentabilidade.
O alargamento do Geoparque Oeste aos oito municípios permitirá consolidar uma estratégia territorial comum, aprofundar a cooperação intermunicipal e reforçar as oportunidades de desenvolvimento económico e social, tendo por base a valorização sustentável dos recursos endógenos.
A nova configuração territorial permitirá integrar e valorizar um património ainda mais diversificado, desde os importantes registos geológicos e paleontológicos de relevância internacional às paisagens, ecossistemas, tradições, atividades económicas e manifestações culturais que testemunham a relação histórica entre as comunidades e o território.
Este processo representa também uma oportunidade para aproximar instituições, empresas, associações, escolas e comunidades, criando novas dinâmicas de cooperação, investigação, educação, geoturismo e valorização dos produtos e recursos locais.
Para além das dimensões científica e educativa, os avaliadores destacaram positivamente o modelo de gestão do Geoparque Oeste, reconhecendo a existência de uma equipa técnica com capacidade de intervenção e financiamento adequado, apoiada pelas comunidades locais, instituições e entidades regionais e nacionais.
Foi igualmente salientado que as comunidades dos novos territórios a integrar compreendem e apoiam o projeto do Geoparque, um aspeto fundamental para garantir a sustentabilidade e a consolidação do alargamento.
Esta avaliação reforça a importância de um modelo de gestão participado, assente na articulação entre municípios, instituições, parceiros e população, no qual o reconhecimento UNESCO se traduz em benefícios concretos para as comunidades.
Na perspetiva de Miguel Reis Silva, Coordenador Executivo do Geoparque Oeste, o resultado agora alcançado confirma a consistência do trabalho técnico e estratégico desenvolvido e abre novas possibilidades para o futuro:
“A aprovação por unanimidade é um resultado extraordinariamente importante, que confirma a qualidade e a coerência da proposta apresentada e, sobretudo, a relevância de uma visão territorial integrada para o Geoparque Oeste.
É particularmente significativo verificar que os avaliadores reconheceram não apenas a importância internacional do nosso património geológico, mas também a forma como esse património está integrado nas atividades do Geoparque. O reconhecimento de 29 geossítios pela IUGS, a importância científica do registo da Bacia Lusitânica e a ligação entre o património geológico terrestre e marinho conferem uma dimensão científica extraordinária a este projeto.
Mas há algo que considero igualmente importante: o reconhecimento da qualidade do nosso trabalho educativo e da capacidade de mobilização das comunidades. A referência ao programa Geoescola da Escola do Ramalhal é um motivo de enorme satisfação para todos os que trabalham nesta área e demonstra que estamos a conseguir transformar conhecimento científico em educação e participação.
O grande desafio será agora transformar este alargamento numa oportunidade efetiva para os oito municípios e para as respetivas comunidades, garantindo que o reconhecimento UNESCO se traduz em mais conhecimento, mais cooperação, maior capacitação local e novas oportunidades de desenvolvimento sustentável. Não estamos apenas a alargar a dimensão geográfica do Geoparque: estamos a consolidar um projeto mais abrangente, mais representativo da diversidade patrimonial do território e com uma capacidade reforçada de intervenção e afirmação internacional.”
O processo de alargamento resulta de um trabalho de articulação e compromisso entre os oito municípios envolvidos, a AGEO, os parceiros institucionais, científicos, económicos e associativos e as comunidades locais.
A sua concretização permitirá reforçar a presença do Geoparque Oeste na Rede Global de Geoparques e ampliar a capacidade de participação em projetos e redes internacionais de cooperação, promovendo novas oportunidades de investigação científica, educação, conservação da natureza, geoturismo e desenvolvimento sustentável.
Até à decisão final do Conselho Executivo da UNESCO, prevista para a primavera de 2027, prosseguirá o trabalho de consolidação das condições necessárias à implementação do território alargado, mantendo o compromisso com os princípios que orientam os Geoparques Mundiais da UNESCO: a proteção do património, a educação, a ciência, o envolvimento das comunidades e o desenvolvimento sustentável.
A aprovação agora alcançada não representa apenas a concretização de uma etapa de candidatura. Representa o reconhecimento internacional de um projeto que tem vindo a crescer, a mobilizar comunidades e a afirmar a importância do património como fator de identidade, conhecimento e desenvolvimento.
FONTE: GEOPARQUE OESTE